quarta-feira, 16 de abril de 2014

"Por hora" ou "Por ora": quando usar?

Fonte: Exame
Editado por: Talita Abrantes

Respondido por Reinaldo Passadori, presidente do Instituto Passadori de Educação Corporativa.
Ora, bolas! Afinal é por hora ou por ora? As duas formas estão corretas, claro, dependendo das circunstâncias nas quais são escritas.
Não estou falando aqui do verbo orar, conjugado na terceira pessoa do presente do indicativo, quando dizemos: ele ora.

A expressão “por hora”, quando escrita com a letra “h”, refere-se ao tempo, a marcação em minutos. Exemplo: “O médico receitou o comprimido a cada seis horas”. Ou ainda: “O carro estava a cento e vinte quilômetros por hora”.
A expressão “por ora”, quando escrita sem o “h”, dá a ideia de no momento ou agora. É um advérbio de tempo, expressa sentido de por enquanto, no momento, atualmente. Exemplo: “Por ora estou muito ocupado”. Ou ainda: “Você pediu minha decisão, por ora ainda não a tenho”.
Ainda tem a função de conjunção coordenativa alternativa como no exemplo, “quando se senta para estudar, ora tem fome, ora tem sono”.
Por ora creio que basta a explicação. Em outra hora voltarei a falar a respeito.


terça-feira, 15 de abril de 2014

Aparelho promete deixar qualquer pessoa mais inteligente





Por: Thaís Harari
Fonte: Super Abril


Parece um daqueles fones de ouvido para a prática de esportes. Mas tem quatro tentáculos, que devem ser posicionados sobre a testa do usuário. Ao ligar o aparelho, a pessoa começa a sentir um formigamento. Depois de cinco minutos, deve retirar o dispositivo da cabeça - que, curiosamente, continua formigando por algum tempo. Assim funciona o Foc.us: um aparelho de US$ 250 que está sendo lançado nos EUA e promete aumentar os poderes cognitivos de qualquer pessoa (em especial os jogadores de games, cujos reflexos promete acelerar).

Imagem: Reprodução http://www.foc.us/
 Ivan Bajinov Photography
Ele emprega a Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC), uma técnica que consiste em aplicar pequenas correntes elétricas em certas áreas do cérebro. Há estudos mostrando que a ETCC produz efeito no tratamento de depressão e dores crônicas, e também pode intensificar certas funções mentais, como memória de curto prazo, concentração e capacidade de tomar decisões. Na experiência mais recente, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, voluntários foram submetidos a cinco sessões de estimulação transcraniana - e se tornaram capazes de fazer operações matemáticas com o dobro da velocidade. "A corrente elétrica aumenta o nível de atividade cerebral da área estimulada", explica o psiquiatra André Brunoni, coordenador do grupo de estudos sobre neuromodulação não-invasiva do Hospital Universitário da USP. O cérebro continua funcionando no modo alterado durante algum tempo, mesmo depois que a pessoa desliga o aparelho.

Essas conclusões foram obtidas em testes de laboratório - não com um produto comercial. "As pesquisas já realizadas não são suficientes para justificar o uso da técnica fora de um ambiente controlado, e muito menos para garantir que os efeitos produzidos pelo headset serão os prometidos", diz o neuropsicólogo Paulo Boggio, pesquisador da Universidade Mackenzie. Acima de tudo, há o fator risco: o Foc.us utiliza uma corrente muito pequena, 1 miliampére (500 vezes menos do que uma lâmpada caseira de 60 W), mas não há estudos que avaliem suas consequências a longo prazo.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Estudo sugere que café pode melhorar memória

Fonte: BBC

Os pesquisadores observaram que pessoas que tomaram comprimidos de cafeína tiveram um desempenho melhor em testes de memória do que as que ingeriram placebos.
O estudo, da Universidade Johns Hopkins, envolveu pessoas que não bebiam ou consumiam produtos com cafeína regularmente.
Os pesquisadores recolheram amostras de saliva dos voluntários para verificar os níveis de cafeína e os submeteram a um teste em que tiveram que olhar para uma série de imagens.
Cinco minutos depois, parte deles recebeu um comprimido de 200 miligramas de cafeína, o equivalente à cafeína presente em uma xícara grande de café segundo os pesquisadores, ou então um placebo.
Os cientistas então recolheram outra amostra de saliva 24 horas depois.
No dia seguinte, os dois grupos foram avaliados para ver a capacidade de reconhecer as imagens vistas no dia anterior. Os voluntários foram expostos a uma mistura de algumas das imagens vistas no primeiro dia com algumas imagens novas e também algumas imagens sutilmente diferentes.
Ser capaz de diferenciar entre os itens semelhantes, mas não idênticos, é chamado de padrão de separação e indica um nível mais profundo de retenção na memória.
Entre os voluntários que consumiram cafeína, o número de pessoas capazes de identificar corretamente imagens "semelhantes" era maior que o que repondia - de forma errada - que eram as mesmas imagens.
"Se tivéssemos usado uma tarefa padrão de reconhecimento pela memória, sem estes itens semelhantes e enganadores, não teríamos descoberto o efeito da cafeína", disse Michael Yassa, que liderou o estudo.
"Mas, estes itens exigem que o cérebro faça uma discriminação mais difícil, o que chamamos de padrão de separação, que parece ser o processo que é melhorado pela cafeína em nosso caso", acrescentou.
O período de apenas 24 horas pode parecer curto, mas não é este o caso para os estudos sobre a memória. A maior parte do esquecimento ocorre nas primeiras horas depois que a pessoa aprende algo.

Poucos efeitos

A equipe agora quer analisar o que acontece no hipocampo, o "centro de memória" do cérebro, para compreender o efeito da cafeína.
Apesar dos resultados promissores, Michael Yassa afirmou que as pessoas não devem beber muito café ou tomar comprimidos de cafeína.
"Tudo com moderação. Nosso estudo sugere que 200 miligramas de café beneficiam aqueles não ingerem cafeína regularmente", disse Yassa.
O cientista afirmou que pode haver um outro tipo de resposta o que "sugere que doses mais altas (de cafeína) podem não ser tão benéficas".
"Tenha em mente que, se você é um consumidor regular de cafeína, esta quantidade pode mudar", acrescentou.
"E, claro, é preciso lembrar dos riscos para a saúde. Cafeína pode ter efeitos colaterais como nervosismo e ansiedade em algumas pessoas. Os benefícios precisam ser medidos em comparação com os riscos."
Para Anders Sandberg, do Instituto Futuro da Humanidade da Universidade de Oxford, o estudo demonstrou que tomar cafeína logo depois de ver as imagens "melhora o reconhecimento delas 24 horas depois, dando apoio à ideia de que ajuda o cérebro a consolidar o aprendizado".
"Mas, não houve melhora direta na memória de reconhecimento graças à cafeína. Ao invés disso, o efeito foi uma pequena melhora na habilidade de distinguir entre as novas imagens que pareciam com as antigas das que eram realmente as antigas."
Para Sandberg, a cafeína pode ajudar uma pessoa a prestar mais atenção, mas a melhor forma de consolidar o aprendizado é dormir, o que pode ser um problema com o consumo de café.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Escrever é melhor que digitar

Por: Bruna Menegueço

É o que mostrou uma pesquisa norueguesa. A explicação é simples: escrever envolve muitos sentidos e, por isso, facilitaria o aprendizado e a memorização do que é escrito. Confira
Na sala de casa, você abre o notebook para checar alguns e-mails. Seu filho logo vê a tela e quer brincar, apertar, desenhar. O contato das crianças com teclados acontece cada vez mais cedo e ganha espaço no dia a dia.

Pensando nisso, cientistas noruegueses resolveram estudar a diferença de aprendizado entre crianças que escrevem à mão e aquelas que digitam. A pesquisa, feita na Universidade de Stavang, mostrou que o primeiro é melhor porque envolve muito mais sentidos que o digitar, o que facilita o aprendizado.

O estudo foi feito com dois grupos de alunos. O primeiro escreveu o alfabeto à mão, enquanto o segundo digitou. Ao final do trabalho, os pesquisadores perguntaram se eles lembravam o que havia escrito e o primeiro grupo se saiu melhor.

A explicação dos cientistas é simples. Segundo eles, partes diferentes do cérebro são ativadas quando lemos as letras digitadas e quando reconhecemos as letras escritas a mão. ”Ao escrever, os movimentos envolvidos deixam uma memória na parte sensorial e motora do cérebro, que ajuda a reconhecer as letras e cria uma conexão entre leitura e escrita”, explica Anne Mangen, professora do Centro de Leitura da Universidade.

O papel dos pais e da escola é incentivar todas as áreas do cérebro da criança, principalmente durante a alfabetização. “Ela precisa aprender a segurar o lápis, a desenhar a letra que não está pronta, a ter o domínio do traço. Antes de escrever, ela vai passar o dedinho nas letras em texturas diferentes para perceber sinestesicamente a diferença entre elas, até os menor detalhe entre P e o R, por exemplo", diz Raquel Caruso, psicomotricista do EDAC – Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico. "Tudo isso é muito diferente do simples apertar o botão no teclado, que já está ali, pronto.”

quinta-feira, 10 de abril de 2014

4 dicas para fazer ótimas anotações em aula

Por: Universia

As anotações são ótimas maneiras de estudar e memorizar a matéria. Se você deseja desenvolver essa técnica, confira algumas dicas que podem ajudar nesse processo.
Para ser um bom estudante, você precisa desenvolver sua capacidade de organização, bons hábitos de estudo e disciplina em geral. Uma das primeiras habilidades que você deve fortalecer é a sua capacidade de fazer anotações rápidas. Parece fácil, mas na verdade esse exercício exige um grande esforço do seu cérebro para entender a matéria e organizar as informações.
Se você deseja ser um estudante de sucesso, confira algumas dicas que são essenciais para fazer ótimas anotações em sala de aula:

 1. Use as ferramentas certas
Para fazer boas anotações, você precisa utilizar as ferramentas corretas. Caneta e caderno ou laptop não podem faltar na sua mochila! Por isso, antes de sair de casa, verifique se você tem todos os materiais que precisa para fazer ótimos resumos.

 2. Utilize a tecnologia
Faça uso das novas tecnologias para facilitar a sua vida. Muitas pessoas têm mais facilidade para digitar do que para escrever. Se esse é o seu caso, não perca tempo! Leve o seu computador para a sala e desenvolva as suas anotações. Não se esqueça de pedir a autorização do professor para utilizar essas tecnologias na aula.

3. Seja organizado
Independentemente de como você vai fazer as suas anotações, você precisa ser organizado. Escrever frases sem sentido ou colocar lembretes fora do assunto só vai atrapalhar os seus estudos. Procure anotar as principais ideias e conceitos para que o seu resumo não fique confuso.

 4. Anote as ideias principais

Você não precisa anotar tudo o que o seu professor diz. Para fazer bons resumos, você precisa anotar as principais ideias e conceitos para entender a matéria quando for estudar sozinho. Na hora de fazer as suas anotações lembre-se que o menos pode ser mais.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Por que os velhos são mais sábios

Texto: Carlos Nasser
Fonte: Super Abril

“Dai-me coragem para mudar o que posso, serenidade para aceitar o que não posso mudar e sabedoria para perceber a diferença.” A conhecida prece mostra com bastante simplicidade o quanto a capacidade de fazer bons julgamentos é valorizada. Mas seria a sabedoria uma dádiva ou algo que se desenvolve com o tempo?
Para o neuropsicólogo russo-americano Elkhonon Goldberg, não há nada de místico. Segundo ele, a sabedoria é uma forma de processamento mental muito avançada, que atinge seu auge apenas na velhice – justamente a época em que a capacidade do nosso cérebro começa a diminuir. Esses dois processos aparentemente contraditórios são o tema central do livro The Wisdom Paradox (“O Paradoxo da Sabedoria”, sem tradução para o português), publicado no ano passado. “A velhice é sempre vista como uma época de declínio, mas ela pode trazer novas habilidades muito poderosas”, diz Goldberg.
Mas o que é a sabedoria, afinal de contas? Os dicionários dizem que é a qualidade de ter experiência, conhecimento e capacidade de fazer bons julgamentos. Goldberg prefere uma descrição mais prática. “É a capacidade de ‘saber’ a solução de um problema complicado ou inesperado de maneira praticamente instantânea e sem esforço mental. É também a capacidade de conseguir antecipar eventos que costumam pegar as pessoas desprevenidas.” Mais do que simplesmente saber reconhecer uma situação de crise, por exemplo, o mecanismo da sabedoria permite enxergar formas de resolvê-la. Mesmo que a pessoa nunca tenha atravessado uma situação igual.
A chave para esse processo, segundo Goldberg, é a nossa capacidade de identificar padrões. Ao ver uma cadeira, por exemplo, somos capazes de identificar que aquilo é uma cadeira sem precisar ter visto todos os tipos e modelos de cadeiras que existem no mundo. Isso é possível porque criamos um modelo mental da cadeira genérica, com todas as suas características comuns, que é ativado quando vemos algum objeto que se encaixa na descrição. Isso funciona também com situações e na resolução de problemas. “Se não fosse por essa capacidade, cada objeto e cada situação que encontrássemos durante a vida seria tratado como uma coisa totalmente nova, e seríamos incapazes de usar nossas experiências anteriores”, diz o neuropsicólogo. A habilidade de reconhecer semelhanças entre problemas aparentemente novos e outros já resolvidos é o que Goldberg define como competência.
Quanto maior o número de experiências e padrões acumulados por uma pessoa competente, maior a sua experiência num determinado campo. É por isso que um médico com vários anos de trabalho acumulados consegue resolver problemas melhor do que um recém-formado – apesar de o treinamento de ambos ser muito semelhante. Todos nós, em maior ou menor grau, possuímos competência e conseguimos acumular experiência, diz Goldberg. “Já a sabedoria é vista como a versão mais avançada dessas habilidades e exige uma forte mente analítica e uma biblioteca de padrões bastante abrangente.”
À medida que as relações entre os diversos padrões vão sendo processadas pelo cérebro, elas vão formando redes de neurônios que Goldberg chama de “atratoras”. São “circuitos” de memórias relacionadas que contam com diversas maneiras de ser ativados. Quando você vê o rosto de uma pessoa, ativa a rede atratora que relaciona várias outras coisas que você sabe sobre ela. A sabedoria, então, seria conseqüência de uma grande quantidade de redes atratoras no cérebro da pessoa. E tanto elas quanto os padrões levam tempo para serem acumulados em quantidade suficiente para resolver problemas de maneira rápida e eficiente. “Por causa disso, o envelhecimento acaba sendo o preço da sabedoria”, resume Goldberg.
Arquivo vivo
A relação entre sabedoria e envelhecimento não tem a ver somente com o acúmulo de experiências, segundo Goldberg. Um outro fator importante são as mudanças que ocorrem na forma como o cérebro lida com informações. O lado direito (esquerdo no caso dos canhotos), responsável pelo processamento de informações novas, costuma sentir os efeitos do envelhecimento antes do lado esquerdo, onde se concentra boa parte da nossa memória de longo prazo.
Na prática, a experiência e a sabedoria acabam conseguindo compensar parcialmente essa perda, diz o neuropsicólogo. “Quando somos jovens, a maior parte do nosso poder de processamento é empregada em tentar entender o mundo e as situações com as quais nos confrontamos”, explica ele. “Esse poder diminui com a idade. Em contrapartida, a maioria dos problemas que surgem pode ser resolvida com base na comparação com os padrões que foram acumulados. Isso demanda muito menos trabalho do nosso cérebro do que tentar entender uma situação completamente nova.”
A forma como a memória começa a falhar com a idade também tem um papel importante. Padrões, como as características em comum das cadeiras ou de problemas conhecidos, são muito mais resistentes ao tempo do que dados isolados – por exemplo, a informação de que Pequim é a capital da China. Por fim, o início do declínio mental costuma coincidir com a aposentadoria, época em que os desafios do dia-a-dia diminuem consideravelmente.
A história traz importantes exemplos de como essas capacidades analíticas conseguem sobreviver ao tempo e, inclusive, ao início de demências. O ex-presidente americano Ronald Reagan começou a apresentar os primeiros sinais do mal de Alzheimer enquanto ainda estava na Casa Branca. Winston Churchill, primeiro-ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial, teve diversos lapsos mentais e alguns derrames durante seus dois mandatos. Joseph Stalin, que comandou a ex-União Soviética por décadas até sua morte, em 1953, passou a ter diversas dificuldades de linguagem em seus últimos anos. Também há indícios de que o ditador nazista Adolph Hitler tenha começado a apresentar sinais de demências menores. O ponto comum entre essas personagens, diz Goldberg, é que, apesar desses problemas, todos eles ainda foram capazes de liderar seus países até praticamente a morte. “Sim, eles tinham muitos e muitos assessores para compensar as dificuldades. Mas em nenhum momento eles foram marionetes. Sempre estiveram no comando”, diz o neuropsicólogo.
Eram todos eles sábios? “Provavelmente não. Mas todos acumularam muitos padrões e experiências e exibiram muita competência e experiência, que serviram para levar adiante seus bons e maus propósitos”, diz Goldberg. “Todos eles são exemplos de como o mecanismo de reconhecimento de padrões é poderoso e consegue compensar até certo ponto diversos outros problemas cognitivos.”
Somando tudo isso, fica fácil perceber que, na prática, a sabedoria trata-se mais de uma troca do que de uma supercapacidade. E é dessa forma que ela precisa ser encarada, diz Goldberg. Em outras palavras, não como o ápice do nosso processamento mental, mas como um mecanismo biológico para compensar a queda de capacidades como a concentração e a aquisição de novos conhecimentos. “Ela tem um efeito bastante considerável, mas é finito e apenas diminuiu o ritmo do nosso declínio mental, que é inevitável”, afirma Goldberg.
Experiência acumulada
Apesar de inevitável, o declínio mental é gradual em pessoas que não têm doenças degenerativas, com o mal de Alzheimer. Isso significa que é possível aproveitar bem as vantagens que a sabedoria traz. “Há diversas tarefas mentais nos quais os idosos têm resultados tão bons quanto os de pessoas mais jovens”, diz a neuropsicóloga Jacqueline Abrisqueta-Gomez, do Hospital São Paulo. Basta não considerar o tempo gasto, que nos idosos tende a ser maior. “Grandes empresas multinacionais costumam entregar o comando para profissionais na faixa dos 50 anos, que estão num ponto de equilíbrio entre velocidade de processamento e experiência acumulada”, diz a médica.
Há também aqueles que atingiram o ponto alto de suas capacidades exatamente na velhice. Entre os exemplos, Goldberg cita o escritor alemão Goethe. Ele escreveu o primeiro volume de sua obra-prima Fausto aos 59 anos, e a segunda aos 83. “Goethe escreveu muitos livros durante sua vida, mas foi justamente a obra produzida na velhice que se tornou sinônimo de seu nome através dos séculos.” Outro exemplo citado é o do arquiteto espanhol Antoni Gaudí, que morreu num acidente aos 74 anos, no auge de sua capacidade criativa.
No fundo, talvez seja a experiência e a sabedoria que nos permitam viver 60, 70, 80 ou mais anos. “Somos uma das poucas espécies cuja vida vai além do período reprodutivo”, diz Goldberg. Qual seria a importância de um indivíduo que, do ponto de vista biológico, não tem mais nada para contribuir para a perpetuação da sua espécie? “Uma possibilidade é que os mais velhos contribuam de uma maneira crítica para a sobrevivência da espécie por outros meios – particularmente na transmissão do seu conhecimento acumulado para as gerações mais novas por meios culturais, como a linguagem”, acredita o pesquisador.
Assim como nem todos os idosos apresentam demências graves, nem todos atingirão a sabedoria. Embora o potencial de certas pessoas seja maior que o de outras, é preciso desenvolvê-lo. “Expor-se constantemente a novos desafios mentais é um ingrediente muito importante”, diz Goldberg. Sem o acúmulo de experiências que alimentam a biblioteca de padrões, mesmo a mais analítica das mentes não conseguiria chegar à sabedoria. A sabedoria, escreveu o filósofo grego Sócrates, começa com a vontade de saber.